GESTO ELEITOREIRO? - Ex-prefeito do Recife usurpa prerrogativa do atual gestor para assumir protagonismo em meio à tragédia das enchentes
- Marcelo Jorge

- há 2 dias
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*Por Marcelo Jorge

O drama recorrente das enchentes em Pernambuco - e, de forma ainda mais simbólica, na capital Recife - já nem surpreende mais: virou rotina administrativa e tragédia anunciada. As cenas que hoje inundam as redes sociais parecem reprises de um velho filme que o povo pernambucano conhece de cor: barreiras cedendo, comunidades soterradas, famílias desabrigadas, trânsito em colapso, doenças se espalhando e prejuízos de toda ordem e pior que tudo: MORTES.
Tudo absolutamente previsível. Tudo, mais uma vez, evitável.
Ao longo dos últimos anos, seja como deputado federal mais votado da história do estado, superando nomes como o do pai Eduardo Campos e do bisavô, Miguel Arraes, seja como prefeito do Recife, João Campos teve todas as oportunidades de enfrentar com seriedade problemas históricos da cidade e do estado. Teve mandato, estrutura, visibilidade e apoio político.
Mas preferiu outro caminho.
Escolheu investir na construção de uma imagem cuidadosamente embalada por marketing milionário, redes sociais e aparições calculadas para viralizar. Entre dancinhas, poses ensaiadas e o famoso “cabelo nevado”, consolidou-se mais como personagem digital do que como gestor preparado para enfrentar os dramas reais da população.

Agora, às vésperas de uma eleição em que se movimenta como pré-candidato ao Governo de Pernambuco, surge um novo capítulo desse enredo: já sem ocupar qualquer cargo executivo municipal ou estadual, extrapolando os limites do bom senso e com anuência do presidente Lula, tenta montar uma espécie de gabinete paralelo para acompanhar a crise das chuvas, buscando protagonismo político em meio ao sofrimento alheio.
Na prática, o presidente nacional do PSB – cargo partidário - tenta dividir holofotes e ocupar espaços institucionais que pertencem legitimamente à governadora Raquel Lyra no estado e ao prefeito Victor Marques na capital. Mais do que isso: impede que o atual gestor municipal que o sucedeu demonstre liderança e resolutividade diante de sua primeira grande crise.
Para muitos pernambucanos, especialmente os recifenses que convivem todos os anos com lama, medo e abandono, o gesto soa menos como solidariedade e mais como desespero eleitoral. Transformar tragédia em palanque talvez seja a forma mais cruel de oportunismo político.
Fica a pergunta que ecoa nas ruas: vale tudo mesmo por um voto?









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