“O que parecia futuro já é presente: IA chega com força às Eleições 2026”
- Marcelo Jorge

- há 3 dias
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As imagens, os vídeos, os áudios com vozes e músicas e os diversos recursos de comunicação usados nas redes sociais para persuadir o público já não geram a mesma confiança — mesmo quando parecem claros e sem qualquer manipulação.
Por: Marcelo Jorge

Discursos ideológicos que antes poderiam ser atribuídos à inteligência e à criatividade de um agente político hoje podem ser produzidos por algoritmos, a partir da combinação de um vasto banco de dados de palavras, estilos e referências previamente inseridos em sistemas de inteligência artificial.
As fake news também mudaram de patamar. Deixaram de ser apenas textos falsos publicados como se fossem verdade em portais, blogs, rádios, TVs, jornais ou revistas, com distorções graves da realidade, e passaram a assumir, em muitos casos, papel central na disputa narrativa.
Imagens estáticas e vídeos manipulados começam a circular de forma silenciosa: primeiro em grupos políticos de WhatsApp, depois em perfis de redes sociais alinhados a determinados espectros ideológicos. Em pouco tempo, chegam a gabinetes, assessorias e núcleos de campanha. Muitos desses conteúdos simulam políticos em situações polêmicas ou atribuem a eles frases e posicionamentos que jamais foram expressos. Produzidos com o uso de inteligência artificial, esses materiais falsos passam a circular como se fossem reais, provocando reações e ampliando seu alcance nas plataformas digitais.
Esse cenário funciona como um alerta antecipado sobre os riscos que a tecnologia impõe ao próximo ciclo eleitoral, especialmente quando envolve figuras com grande presença nas redes sociais.
A repercussão do problema já provoca preocupação nos grupos que estruturam as pré-campanhas. Um ponto vem sendo discutido de forma reservada entre marqueteiros, advogados eleitorais e estrategistas: a dificuldade de reagir com rapidez a conteúdos falsos cada vez mais sofisticados.
Seja no interior de Pernambuco ou em qualquer região do país, a resposta a esse desafio precisará ir além da comunicação. As campanhas deverão contar com estruturas jurídicas ágeis, capazes de identificar a origem do material fraudulento e acionar a Justiça com rapidez. O desafio é ainda maior fora das redes abertas, principalmente em aplicativos de mensagens, onde a clonagem de voz — hoje considerada por especialistas até mais perigosa que os vídeos falsos — se espalha com mais facilidade.
Nos últimos anos, conteúdos manipulados com IA envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) circularam nas redes sociais, atribuíram falas inexistentes e motivaram decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinaram remoções e passaram a adotar medidas de verificação.
Entre especialistas, a distinção central está no uso da tecnologia como ferramenta ou como substituta da estratégia política.
Para o consultor em marketing político e estrategista Marcelo Jorge, do Leitura Ampla Inteligência Política, essa linha precisa ser bem definida. “Uma coisa é fazer campanha usando inteligência artificial. Outra é ter uma campanha feita pela inteligência artificial”, afirma. Segundo ele, a IA já faz parte do cotidiano das campanhas, mas não substitui a leitura de contexto, a sensibilidade política e a tomada de decisões estratégicas. Isso continua sendo responsabilidade humana”, ressalta.

Outros estrategistas avaliam que a inteligência artificial não criou o problema da desinformação, mas o agravou ao acelerar e sofisticar a produção de conteúdos falsos em um ambiente que a Justiça Eleitoral já tinha dificuldade de monitorar em tempo real. Para eles, as eleições de 2026 serão as primeiras com a tecnologia plenamente integrada ao dia a dia da população, o que tende a ampliar a confusão no ambiente digital.
Diante desse cenário, o TSE aprovou normas que proíbem o uso de deepfakes eleitorais, exigem a identificação de conteúdos gerados ou manipulados por inteligência artificial e preveem a responsabilização de candidatos, partidos e plataformas. O pleito de 2026 será o primeiro grande teste dessas regras em um ecossistema digital já saturado por estímulos, ruídos e disputas narrativas.
Entre campanhas, tribunais e estrategistas, a avaliação é convergente: a inteligência artificial não será um tema periférico, mas uma das principais arenas da eleição. A disputa de 2026 não será apenas por votos, mas também pela capacidade de distinguir o que é real do que foi fabricado.













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